
Percurso pelos edifícios modernistas
Cinema Batalha
Situado no coração da cidade do Porto, o Cinema Batalha foi inaugurado em 1946, a transformação ficou a cargo do arquiteto Artur Andrade que manteve o desenvolvimento expressionista, marcado pelas linhas curvas, vigorosamente iluminadas. Constituído por dois auditórios, um com capacidade para 950 lugares sentados e o outro para 135 pessoas. Tinha ainda dois bares e um restaurante com esplanada. Desenhado com movimentos de grande dinamismo em tensão com a fachada de vidro onde apresenta um baixo-relevo de Américo Soares Braga (1909-1991). Obra polémica de impacto social e cultural pela atitude afirmativa, pela agressiva marcação das formas e pelo escândalo gerado em torno do mural de Júlio Pomar. De carácter figurativo e neo-realista, o regime do estado novo, considerou-o como sinal comunista ordenando a sua destruição. Anteriormente, funcionou durante 50 anos, a sala de projeção de cinema Salão High Life.
Em 2012 foi classificado como monumento de interesse público. Em 2021 o Cinema Batalha foi rebatizado de 'Batalha Centro de Cinema', por não se restringir à exibição de filmes. Irá voltar a abrir as portas no início de 2022, pouco depois de concluídas as obras de requalificação prevista para final deste ano.
Coliseu do Porto
O Coliseu do Porto abriu as suas portas ao público pela primeira vez em 1941 com um Sarau de Gala. Num estilo moderno Arte Deco dos arquitetos Cassiano Branco e Júlio de Brito que de imediato se tornou uma referência arquitetónica. Um edifício vanguardista que veio marcar de forma indelével a baixa do Porto e o coração de todos os portuenses.
Pedia-se uma sala de espetáculos que se afirmasse impregnada de patriotismo, estampado na fachada está um grande brasão de armas. Visando a expressão permanente de um espetáculo de formas arquitetónicas, o arquiteto articula um desenho assimétrico da fachada, que joga com a torre sobrepujada e a pala sobre a entrada, estabelecendo uma relação de força com o acentuado declive da rua. Cassiano Branco, reorganiza a articulação vertical do edifício, da mesma forma que investe na sucessão dos espaços de entrada, elementos bem patentes na valorização do alçado do Coliseu. No interior, a luz de um grandioso candeeiro marca o centro da sala de espetáculos, desenhada em forma de ferradura, dela partem acessos, galerias e escadas que convergem para o átrio. Reforça a ideia conceptual de dinâmica espacial patente na conceção do edifício.
Finalmente, a cidade do Porto passou a ter à sua disposição um espaço imponente e dotado de todos os luxos modernos. Um espaço aberto à arte e à cultura que se tornou o orgulho dos portuenses.
Em 2021, a Câmara do Porto e Ministério da Cultura suspenderam a concessão do Coliseu do Porto e assumem os custos de reabilitação avaliadas em 3,5 milhões de euros. As obras deverão demorar cerca de oito meses, estando ainda por determinar o tempo que o Coliseu estará fechado. A responsável revelou que as intervenções previstas vão incidir essencialmente na fachada, cobertura e torre.
Teatro Rivoli
O Teatro Rivoli, inaugurado em 1932, situa-se na Praça D. João I no Porto.
No seu lugar existia o Teatro Nacional inaugurado em 1913. As mudanças urbanísticas nos anos seguintes levaram à necessidade de repensar e modernizar este edifício cujo projeto é atribuído ao arquiteto e engenheiro Júlio José de Brito. Em 1932 abre ao público como Teatro Rivoli, num espaço adaptado ao cinema e com programação de teatro, ópera, dança e concertos. O painel em baixo-relevo no topo da fachada do edifício, alusivo às artes do espetáculo, é da autoria do escultor Henrique Moreira.
Maria Borges, mecenas e diretora do Teatro Rivoli, concretizou vastos melhoramentos no edifício.
Em 1992, sob a tutela da Câmara Municipal do Porto, o edifício é novamente remodelado, a área inicial de 6.000m2 foi ampliada para 11.000 m2, e criados os seguintes espaços: auditório secundário, café concerto, sala de ensaios e o Foyer de Artistas.
Atualmente o Teatro Rivoli permite uma ampla variedade de atividades como a dança, a performance, o teatro, o cinema, pensamento, a música, a literatura, exposições, workshops, marionetas, residências artísticas e o novo circo.
Pavilhão dos Desportos
O atual Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota situa-se nos Jardins do Palácio de Cristal e foi construído em 1945, no lugar do Palácio de Cristal entretanto demolido, para ser o Pavilhão dos Desportos. Este edifício em forma de calote semiesférica, classificado como património cultural, é da autoria do arquiteto José Carlos Loureiro e atualmente é um espaço que se destina à realização de eventos culturais, desportivos e empresariais.
O Palácio de Cristal de 1865 era um edifício inspirado no Palácio de Cristal de Londres e ai se realizaram várias exposições nacionais e internacionais. Esse edifício foi demolido para dar lugar ao Pavilhão dos Desportos, também designado como o Palácio dos Desportos, em 1945, onde se realizou em 1952 o campeonato mundial de Hóquei em Patins no qual Portugal foi vencedor.
Além das várias modalidades desportivas, também foi palco de espetáculos musicais, teatro, congressos, circo e das inúmeras feiras da Associação Industrial Portuense.
Sob os 30 metros de altura e 768 óculos, as bancadas inicialmente com uma capacidade de 4658 espetadores mais 400 lugares reservados à imprensa, foram ampliadas entre 2017 e 2019 para uma capacidade de 8600 pessoas, 5580 em eventos desportivos, centro de congressos para 4727 pessoas e salas de apoio com a mais moderna tecnologia além da possibilidade de hoje podermos visitar a cobertura e desfrutar de uma vista a 360º sobre a cidade do Porto.

















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